Os salários reais do Judiciário ultrapassam – e muito – o teto constitucional dos funcionários públicos. Há 32 tipos de benesses, inventados para engordar os contracheques de suas excelências. Não é ilegal. Alguns juízes e promotores se perguntam: é correto? Abaixo
algumas partes da reportagem veiculada pela revista Epoca em junho de 2015.
Veja também algumas fotos da magnífica escultura do artista dinamarquês Jens Galschiot, que representa de forma dramática algumas distorções do nosso sistema judiciário. Nossa justiça promovendo injustiças. Leia o texto e tire suas conclusões.
Leia
a reportagem completa da Revista Epoca clicando aqui.
Veja também algumas fotos da magnífica escultura do artista dinamarquês Jens Galschiot, que representa de forma dramática algumas distorções do nosso sistema judiciário. Nossa justiça promovendo injustiças. Leia o texto e tire suas conclusões.
Leia a reportagem completa da Revista Epoca clicando aqui.
Desde 2003,
quando o Congresso estabeleceu o salário dos ministros do Supremo como teto
constitucional para os funcionários públicos, os Tribunais e MPs estaduais
passaram a criar toda sorte de expedientes para engordar o contracheque. Hoje,
o teto é de R$ 33.763. Os penduricalhos são muitos – ao menos 32 tipos de
auxílios, gratificações, indenizações, verbas, ajudas de custo... – mas o
objetivo é apenas um: ganhar mais do que determina a Constituição.
![]() |
A escultura se chama "A sobrevivência do mais gordo" (Survival of the Fattest). A estátua mostra uma mulher imensamente gorda, sentada nos ombros de um jovem faminto de origem africana. |
A média de
rendimentos de juízes e desembargadores nos Estados é de R$ 41.802 mensais; a
de promotores e procuradores de justiça, R$ 40.853. Os valores próximos mostram
a equivalência quase perfeita das carreiras. Os presidentes dos Tribunais de
Justiça apresentam média ainda maior: quase R$ 60 mil (R$ 59.992). Os
procuradores-gerais de justiça, chefes dos MPs, recebem, também em média, R$
53.971. Fura-se o teto em 50 dos 54 órgãos pesquisados. Eles abrigam os
funcionários públicos mais bem pagos do Brasil.
Na teoria, os
salários – chamados de subsídios básicos – das duas categorias variam de R$ 22
mil a R$ 30 mil. Os salários reais deles, no entanto, avançam o teto pela soma
de gratificações, remunerações temporárias, verbas retroativas, vantagens,
abonos de permanência e benefícios concedidos pelos próprios órgãos e
autorizados pela Lei Orgânica da Magistratura, a Loman, de 1979 – o MP os
recebe por equivalência. Por sua natureza jurídica (ressarcir despesas geradas
pelo trabalho), as indenizações não
estão sujeitas ao teto nem a Imposto de Renda. Generalizadas, produzem
a mágica de elevar os salários, legalmente, acima do teto.
Há salários
reais que ultrapassam R$ 100 mil. O maior é de R$ 126 mil.
Com
estabilidade, poder e prestígio social, juízes e promotores recebem como
executivos da iniciativa privada, mas gozam um pacote de benefícios só possível
na esfera pública.
Usufruem dois meses de férias anuais – mais um recesso de 14 a 30 dias –, não têm horário fixo, ganham auxílios para moradia, alimentação, transporte, plano de saúde, dinheiro para livros e computadores e ajuda até para pagar a escola particular dos filhos.
É uma longa
série de benefícios, alguns que se enquadram facilmente como regalias. Variam
conforme o Estado. ÉPOCA descobriu 32 delas. Além do auxílio-moradia, o mais
comum é o de alimentação. Chega a R$ 3.047 mensais para promotores do Maranhão.
O TJ do Rio de Janeiro é o que oferece mais benesses.
O TJ do Rio de Janeiro é o que oferece mais benesses.
- auxílio-creche de R$ 854 por filho até 6 anos.
- auxílio-educação de R$ 953 por filho até 24 anos (na faculdade).
- 180 dias de licença-maternidade (padrão) mais 90 de aleitamento.
- De três a cinco salários mínimos por adoção até o filho ter 24 anos.
O TJ do
Rio afirma que é unidade de referência e está entre os quatro Tribunais mais
eficientes do país, tendo cumprido 100% da meta desde 2009, ao lado do TJ do
Rio Grande do Sul.
Os benefícios
oferecidos com dinheiro público são generosos e criativos. No TJ de Mato Grosso
vigora um dos melhores planos de saúde do mundo, com gastos ilimitados.
Ressarce consultas particulares e até passagens de avião para tratamento de
magistrados e dependentes em hospitais fora do Estado. Só a partir de dezembro
os juízes passaram a ter de apresentar recibos fiscais para obter reembolso. Em
Minas Gerais, os magistrados recebem mais 10% do salário para custear a saúde
(até R$ 3.047). Têm direito ainda a, como os promotores, de R$ 13 mil a R$
15.235 por ano para livros jurídicos e materiais de informática. O TJ-MG
afirmou que, embora haja previsão, o auxílio não é pago. O MP paranaense banca
até 50% de mestrados e doutorados e 20% de cursos de graduação e línguas.